Nasceu prematuro e agora ?!

Nasceu prematuro e agora ?!

Nasceu prematuro e agora?!

A prematuridade é definida como o nascimento com menos de 37 semanas de idade gestacional. Os bebés que nascem com menos de 28 semanas são considerados prematuros extremos, das 28 as 32 semanas, muito prematuros e prematuros moderados/tardios os que nascem entre as 32 e as 37 semanas. Em Portugal cerca de 8% dos bebés nascem prematuros e 1,2% destes com menos de 32 semanas.

A maioria dos partos prematuros ocorrem de forma espontânea, sem causa conhecida (a maioria das vezes), mas alguns poderão ser induzidos se em causa estiver a saúde e bem-estar da mãe e bebé. São fatores de risco para o parto prematuro a idade materna, diabetes, hipertensão arterial, gemelaridade, tabagismo, abuso de drogas e restrição de crescimento fetal.

Como aumentar a hipótese de sobrevivência e qualidade de vida do recém-nascido prematuro?

Através da vigilância durante a gravidez, da implementação do método canguru (pele com pele com a mãe e pai), do incentivo à extração de leite materno e amamentação, permitimos ao bebé prematuro uma maior hipótese de sobrevivência, sendo que como coadjuvante é também importante recorrer à osteopatia pediátrica.

Estudos realizados demonstraram que uma estimulação intermitente através do toque suave em bebés prematuros entre as 28-37 semanas diminuía a frequência cardíaca e melhorava a saturação de oxigénio quando comparado com a mesma duração de um toque estático. Tendo em conta que o sistema sensorial do bebé se desenvolve por volta das 8 semanas de gestação, promovendo a maturação do sistema nervoso central, estes resultados sugerem que os bebés prematuros podem beneficiar da aplicação de técnicas de terapia manual (p.e. osteopatia) e do método canguru.

Para além do mencionado anteriormente, segundo os estudos está comprovado que através da aplicação de técnicas de osteopatia suaves que melhoram o sistema gastrointestinal, se conseguia diminuir o tempo de internamento dos bebés prematuros, atendendo que o normal funcionamento deste sistema é essencial para o aumento de peso do bebé.

A nível gastrointestinal, o leite materno tem um efeito importante porque estimula o seu crescimento, a sua maturação funcional, desenvolve uma flora saudável e torna-o apto a iniciar a produção de anticorpos, hormonas e muitas outras substâncias necessárias que asseguram uma boa absorção dos alimentos. Desta forma, o leite materno inclui agentes protetores que podem ajudar a prevenir condições sérias às quais os bebés prematuros estão suscetíveis, como infeções graves, retinopatia da prematuridade (que pode provocar a perda de visão), enterocolite necrotizante (doença intestinal) e displasia bronco pulmonar (doença pulmonar crónica).

Contudo, apesar da taxa de mortalidade dos bebés prematuros ter diminuído, a taxa de morbilidade no longo prazo é cada vez maior. Patologias como a paralisia cerebral, surdez, cegueira, deficits cognitivos, deficits de aprendizagem, alterações da fala, alterações comportamentais e hiperatividade são algumas das sequelas que podemos encontrar em crianças que nasceram prematuras.

Outra das complicações mais comuns em prematuros é a plagiocefalia por aplanamento do occipital, que quando diagnosticada e tratada precocemente apresenta uma evolução muito positiva, evitando o aparecimento de algumas complicações futuras, sendo que nestes casos a Osteopatia Pediátrica apresenta um papel importante.

Porém, a intervenção do osteopata pediátrico não acaba no contexto hospitalar e deve acompanhar o bebé para além dessa fase, prevenindo algumas complicações e promovendo o seu desenvolvimento neuro psicomotor.

Em suma, conhecido o efeito protetor do leite materno, o longo percurso de alguns bebés e mães prematuras nas UCIN (Unidade de Cuidados Intensivos Neonatal) e os benefícios da osteopatia, é de extrema importância o apoio a estas mães e bebés neste processo, certo que com este apoio a família tem ao seu dispor as ferramentas para “vencer”.

Na Osteo Performance 360º, com as Pinga Amor e a Osteopatia Pediátrica, encontra uma equipa que pode ajudar o bebé prematuro e toda a sua família.

Autora:    Dr.ª Patrícia Rocha – Osteopatia/Fisioterapia, Maria Silva – Saúde Infantil e Pediatria, Filipa Freitas – Saúde Infantil e Pediatria

Bibliografia:

American Academy of Pediatrics (AAP), 2012. Breastfeeding and the use of the human milk – Policy Statement. Pediatrics. 129. 3. Doi: 10.1542/peds.2011-3552

Launonem & al. (2019).  A 3D Follow-Up Study of Cranial Asymmetry from Early Infancy to Toddler Age after Preterm versus Term Birth. J clin Med, 8: 10.

Manzott & al. (2019). Dynamic touch reduces physiological arousal in preterm infants: A role for c-tactile afferents? Science direct, 39: 28-35.

Pizzolorusso, G. & al. (2011). Effect of osteopathic manipulative treatment on gastrointestinal function and length of stay of preterm infants: an exploratory study. Chiropractic & Manual therapies, 19: 15.

Saigal S, Doyle LW. An overview of mortality and sequelae of preterm birth from infancy to adulthood. The Lancet 2008;371:261-9.

Sociedade Portuguesa de Pediatria1 (SPP), nd, Dia Mundial da Prematuridade, SPP, acedido em https://www.spp.pt/noticias/default.asp?IDN=372&op=2&ID=132

Sociedade Portuguesa de Pediatria2 (SPP), nd, Nascer prematuro em Portugal, SPP, acedido em https://www.spneonatologia.pt/wp-content/uploads/2016/10/Manual-completo.pdf

Taylor, S. N., Basile, L. A., Ebeling, M. & Wagner, C. L. (2009). Intestinal Permeability in Preterm Infants by Feeding Type: Mother’s Milk Versus Formula. Breastfeeding Medicine. 4. 1. DOI: 10.1089/bfm.2008.0114

Whorld Health Organization (WHO), 2018, Preterm birth, WHO, acedido emhttps://www.who.int/en/news-room/fact-sheets/detail/preterm-birth

Share this post