Grávida em movimento

Grávida em movimento

Qual a importância da prática de exercício físico durante a gravidez?

A prática de exercício físico na gravidez constitui uma das partes dos cuidados pré-natais (CPN) segundo as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS). “Os CPN constituem uma plataforma para importantes funções dos cuidados de saúde, incluindo a promoção da saúde, o rastreio, o diagnóstico e a prevenção das doenças. Está comprovado que, com a implementação oportuna e adequada de práticas baseadas em evidências, os CPN podem salvar vidas e que as experiências positivas das mulheres durante os CPN e o parto podem constituir a base de uma maternidade saudável”. Conclui-se desta forma que os benefícios dos CPN se estendem para além do período pré-natal, com benefícios a longo prazo. Segundo a OMS o exercício físico regular é fortemente recomendado para evitar as dores lombares e pélvicas, evitar o ganho de peso excessivo, em conjunto com uma alimentação saudável e a manutenção de um estilo de vida saudável.

Todas as grávidas podem realizar exercício físico?

Hoje sabe-se que todas as mulheres grávidas, sem contra-indicações médicas, devem ser encorajadas e incentivadas a realizar ou manter o exercício físico moderado e que este deverá ser acompanhado por profissionais com formação especifica na área e adaptado pelo profissional de saúde a cada trimestre da gravidez.

Quais os seus benefícios?

Sabe-se, atualmente, que os seus benefícios, vão ainda mais além dos que os anteriormente descritos, com mais benefícios a nível físico e emocional. De acordo com a atividade praticada, alguns dos seus benefícios são: a prevenção da incontinência urinária, o facilitar o trabalho de parto, o impacto na recuperação da diástase abdominal, uma recuperação pós parto mais rápida, a manutenção da força muscular e flexibilidade, o aumento da consciência corporal, a diminuição da insónia, ansiedade e stress, a diminuição da incidência de diabetes gestacional, o aumento da resistência cardiovascular, a redução do risco de parto pré-termo e o aumento da sensação do bem estar geral.

Que tipo de atividade física é recomendada?

O importante mesmo é encontrar uma atividade que a grávida goste para que consiga retirar o máximo de benefício da mesma em termos físicos e emocionais e tentar praticar essa atividade inserida num grupo de grávidas ou individualmente acompanhada sempre por um profissional de saúde especialista e com formação nesta área. É também muito importante que a atividade escolhida não só trabalhe o corpo de forma global mas também se foque nos músculos do pavimento pélvico e períneo. Alguns exemplos de atividades que podem ser realizados na gravidez são: o pilates clínico para grávidas, fisioterapia aquática para grávidas, ginástica para grávidas, musculação e natação. O ideal é mesmo evitar desportos de alto impacto, pois estes promovem um aumento de carga ao nível do pavimento pélvico, podendo levar a disfunção do mesmo.

Com que frequência pode a grávida realizar exercício físico?

A frequência da prática de exercício vai depender da frequência e da regularidade com que a grávida realizava atividade física, ou ausência da mesma, antes da gravidez.

Existem contra-indicações?

Sim, existem algumas contra-indicações, umas são absolutas e outras relativas. Por isso é também tão importante que a grávida seja avaliada e orientada por profissionais de saúde especializados nesta área e tenha a validação do médico que a acompanha para a prática de exercício.

Autora: Dr.ª Raquel Jacinto – Fisioterapia (Saúde Materno Infantil e Pilates)

Bibliografia:

American College of Obstetricians and Gynecologists (2009) Exercise during pregnancy and the postpsrtum period. No 267.

Association of chartered Physiotherapists in Womanen´s Health/Pelvic Obstetrics and Gynecological Physiotherapy (2012). Pelvic floor muscle exercicises for woman.

Association of chartered Physiotherapists in Womanen´s Health/ Pelvic Obstetrics and Gynecological Physiotherapy (2013). Fit and safe to exercise in the childbearing year.

Clapp  JF II (2008) Long – term outcome after exercising throughout pregnancy: fitness and cardiovascular risk. American Journal of  Obstetrics and Gynaecology 1995(5): 489

Gavard  JA, Artal R (2008) Effect of exercise on pregnancy outcome. Clinical Obstetrics and gynaecology 51:2 467-480

Gjestland  K, Bo K, Owe KM, Eberhard- Gran M (2013) Do  pregnant woman follow exercise guidelines? Prevelance data among 3482 women, and prediction of low back pain, pelvic pain, pelvic girdle pain and depression. British Journal of Sports Medicine 47:515- 520

Juhl M, Andersen PK, Olsen J, Madsen M, Jorgensen T, Nohr AE, Nybo Andersen AM (2008) Physical exercise during pregnancy and the risk of preterm birth: a study within the Danish national bith cohort. American Journal of Epidemiology 167:7 859-866

O´Connor P, Poudevigne MS, Cress ME, Motl RW, Clapp JF II  (2011) Safety and efficacy of supervised strength training adopted in pregnancy. Journal of Physical Activity and Health 8, 309-320.

Organização Mundial de Saúde (2016). Recomendações da OMS sobre cuidados pré-natais para uma experiência positiva na gravidez.

Owe (2012) Exercise during pregnancy and the gestational age disribution: a cohorot study. American College of Sports Medicine.

Price BB, Amini SB, Kappeler K  (2012)  Exercise in pregnancy: effect on fitness and obstretic outcomes- a randomized trial. Medical Science of Sports Exercise. 44:12, 2263-2269.

Royal College of Obstetricians and Gynaecologists (2006) Exercise in pregnancy statement. Statement No 4.

Schussel  MM, De Souza EB, Reichenheim ME, Kac G (2008) Physical activity during pregnancy and maternal- child health outcomes: a systematic literature review. Cad Saude Publica, Rio de Janeiro 4:S531- S544.

Society of Obstetricians and Gynaecologists of Canada and Canadian Society for Exercicse Physiology (2003) Exercise in pregnancy and the postpartum period. No 129.

Sports Medicine Australia (2013). The benefits and risks of exercise during pregnancy.

Zavorsky GS , Longo LD (2011) Exercise in pregnancy. New perspectives. Sports Medicine 41 (5), 345-360.

Share this post