Freio Curto

Freio Curto

Freio Curto
Porque a língua do seu Bebé tem algo a dizer

 

O freio é uma estrutura que existe a unir o pavimento da boca à linha média da língua. É normal, portanto, ter freio da língua. Não é normal ter o freio muito curto, de modo que possa afetar os movimentos da língua.

Alguns bebés nascem com o chamado “freio curto” da língua (anquiloglossia), que poderá influenciar de forma negativa a amamentação.

A anquiloglossia é uma anomalia congénita, na qual o freio lingual é anormalmente curto, podendo variar a espessura, elasticidade e local de fixação na língua e soalho da boca.

Este tipo de freio vai limitar os movimentos da língua, fazendo com que a forma como o bebé pega na mama seja menos eficaz. E, a língua é fundamental para o sucesso da amamentação. Esta deve “ultrapassar” o maxilar inferior quando o bebé mama, e vai ser o seu movimento que permitirá uma boa transferência de leite da mama.

Há bebés que engordam bem até aos 2/3m e depois “inexplicavelmente” começam a engordar menos, a ficar mais zangados na mama, a recusar e a chorar durante a mamada… é necessário avaliar a língua e a sua função nestes bebés.

Se o bebé nasceu com o freio da língua curto, a produção de leite excessiva por parte da mãe nos primeiros meses (em que o corpo produz mais do que as reais necessidades pois ainda não conhece bem o bebé), pode compensar esta língua “presa” e o bebé continua a engordar bem e a ficar saciado. Por volta dos 2/3m a produção de leite começa a estabilizar. Deixa de existir a compensação de excesso de leite, e uma língua que não desempenha o seu trabalho na sua plenitude, vai levar o bebé a ficar mais zangado na mama e a não retirar todo o leite que necessita, para se saciar e para engordar.

Geralmente, bebés com freio da língua curto provocam mais dor no momento de mamar e fissuras/gretas. Se há dificuldade em amamentar, dor e fissuras mamilares que não cicatrizam desde o início da amamentação, se o bebé “engorda pouco” ou não é possível amamentar sem recurso a mamilos de silicone, é fundamental procurar ajuda especializada.

Existem 4 tipos de freios e nem todos são valorizados pelos profissionais de saúde, porque nem todos são tão evidentes assim. Se um especialista em amamentação assegura que o freio da língua do bebé está a interferir na amamentação, deve ser valorizado.

No entanto, a amamentação é só a ponta do iceberg – Quando os movimentos da língua são alterados devido ao freio curto, outras funções podem ficar afetadas (a respiração, a mastigação, a fala, a limpeza da boca…).

Há um consenso entre os autores sobre os efeitos negativos das alterações anatómicas e funcionais de um freio curto no crescimento e desenvolvimento craniofacial. A língua está diretamente ligada ao osso hioide e tem conexões com todo o corpo através do sistema fascial. Uma língua com mobilidade restrita pode colocar tensão nas fáscias anteriores e estar na origem de dores e alterações posturais que levam a uma ampla variedade de problemas orofaciais.

Um freio lingual curto altera a posição da língua e da mandíbula. A língua, ao se colocar numa posição mais caída na faringe em repousa pela presença de um freio curto, irá alterar a deglutição do bebé. A língua do bebé irá apresentar dificuldades em se projetar, lateralizar e mais importante elevar a ponta ou o corpo da língua. Para deglutirmos eficazmente, a língua deve se posicionar a nível superior, sobre o palato duro, e realizar um movimento ondulado que faça avançar o conteúdo que se encontra na boca. Esse movimento deve ser realizado de forma síncrona com o movimento do osso hioide. Essa dificuldade em deglutir eficazmente vai fazer com que os bebés alterem a sua postura e possam desenvolver uma classe II ou III de Angel.

Tanto na classe II como na classe III a posição da cervical fica alterada e a postura do bebé comprometida. Essas alterações posturais poderão provocar ainda alterações gastro intestinais, como refluxo, pela presença de tensões nas fasciais anteriores

O freio pode ser cortado por um profissional de saúde com experiência e de preferência, com formação específica em amamentação (pediatra, dentista, cirurgião) sendo um procedimento simples e praticamente indolor nos primeiros meses de vida. Protelar o corte do freio pode comprometer a amamentação, culminar num desmame precoce e até numa cirurgia (o corte do freio a partir dos 3/4m terá que ser num bloco operatório. Antes disso, é feito em ambiente de consultório sem necessidade de anestesia. O bebé pode mamar mal termine o procedimento.

De salientar que as mamadas podem melhorar imediatamente ou não, o bebé não está habituado a ter tanta mobilidade de língua. Para isso é importante que sejam efetuados ensinos aos pais sobre exercícios pós-frenectomia. Estudos demonstram que realizar tratamentos de osteopatia pediátrica, recorrendo a técnicas miofasciais e cranianas, é recomendado em bebés sujeitos a uma frenectomia.

Bibliografia:

 

Autores:
Enfermeira Filipa Freitas – Saúde Infantil e Pediatria
Dr.ª Patricia Rocha  – Fisioterapeuta e Osteopata

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