Dor ciática não é tudo, nem tudo é dor ciática

Dor ciática não é tudo, nem tudo é dor ciática

Muitos já ouviram certamente alguém a referir que está com dor ciática. Infelizmente, este termo é usado demasiadas vezes no dia a dia, quer pela população quer também por profissionais de saúde. O abuso do termo dor ciática na comunidade faz com que maioria das vezes se confunda este sintoma com um diagnóstico de base patológica ou funcional. Por outras palavras, com o uso comum, algo que é apenas um sintoma torna-se muitas das vezes para a população, uma patologia.

Mas afinal o que é a dor ciática?

A dor ciática, ou apenas ciática ou ciatalgia é um quadro sintomatológico que se traduz por dor ao longo do trajeto do nervo ciático. Este nervo tem início na porção terminal da coluna lombar (L4, L5) e região do sacro (S1, S2, S3), vai percorrendo todo membro inferior até ao pé (ao longo do trajeto este nervo subdivide-se em várias ramificações que apresentam outra denominação).

Por norma, a dor ciática ocorre maioritariamente em apenas um dos membros inferiores, sendo que devendo-se a uma origem neuronal, a dor pode estar acompanhada por sintomas como parestesias (formigueiro), falta de força, perda de sensibilidade.

A ciatalgia deve-se a uma compressão direta ou indireta do nervo ao longo do seu trajeto, seja ela por culpa de uma lesão discal ou óssea (na região lombar) ou por uma compressão de origem muscular ao longo do seu trajeto pelo membro inferior. Situações de caráter inflamatório também podem provocar compressão do nervo ciático devido ao exsudado inflamatório formado. Na gravidez por exemplo, essa compressão pode ocorrer quer de forma direta como de forma indireta pela retenção de líquidos e pelo edema provocado nos membros inferiores.

A dor ciática é, portanto, uma dor com um quadro e origem perfeitamente conhecidos, e frequentemente pessoas que apresentam este sintoma conseguem descrever o trajeto da dor de forma muito bem definida ao longo de todo o membro inferior como se de uma linha se tratasse.

A intensidade da dor ciática é variável podendo ir apenas de um simples incómodo ou moedeira a uma dor aguda incapacitante. Por norma, quanto mais severa a dor maior a probabilidade de surgirem os sintomas associados referidos acima.

Então toda a dor pela parte posterior da perna é ciática?

Aqui começa um dos grandes problemas quando se fala em dor ciática. De facto, existem muitas condições clínicas ou quadros patológicos que apresentam um quadro de dor muito semelhante à ciática.

Tal ocorre, uma vez que existem estruturas articulares (sacroilíaca), ligamentares (lig. Sacro isquiático), musculares (glúteo, isquiotibiais), artérias (ilíaca externa, femoral profunda, poplítea), viscerais (intestino) que, quando estão comprometidas, podem dar dor referida pela região posterior do membro inferior, podendo até em alguns casos ter simultaneamente sintomas como parestesias ou perda de força.

Por este motivo, é fundamental um bom diagnóstico diferencial. No exame clínico, entre outros testes específicos às várias estruturas que podem causar dor referida na parte posterior do membro inferior, a avaliação da tensão neural, da sensibilidade, força muscular e dos reflexos são essenciais para compreender se a dor provém de uma compressão do nervo ciático.

Sem um diagnóstico correto e concreto de qual é a origem da dor, é impossível delinear um plano de tratamento médico, fisioterapêutico ou osteopático adequado para resolver o problema. Muitas vezes, pode-se minimizar a dor com alguns tratamentos farmacológicos analgésicos ou anti-inflamatórios, porém na maioria dos casos não resolve a origem do problema, fazendo com que esta surja novamente mais tarde.

Aos quadros sintomatológicos que se confundem com dor ciática damos o nome de pseudociáticas.

Em suma, o quadro de dor ciática quando diagnosticado não nos refere qual a origem do problema. Se usado corretamente o termo, apenas nos refere que há um comprometimento do nervo ciático algures no seu trajeto, mas não em que ponto e por que motivo isso está a ocorrer. Posto isto, o diagnóstico de dor ciática, per si, não é tudo, é apenas um ponto de partida para uma análise mais detalhada de modo a definir o melhor tratamento. Quando o termo dor ciática é erradamente aplicado, e se refere a um quadro de pseudociática, é fundamental um diagnóstico mais preciso para que o tratamento seja o adequado à origem do problema e não sejam apenas tomadas medidas de eliminar o sintoma.

Por isso, quando ouvir falar em dor ciática lembre-se que, dor ciática não é tudo e nem tudo é dor ciática. Em caso de dúvida, na Osteo Performance 360º encontrará a nossa equipa de Fisioterapeutas e Osteopatas que efetuará um diagnóstico detalhado com vista a adequar-lhe o melhor tratamento.

Autores:
Dr. Bruno Ferreira – Fisioterapeuta e Osteopata

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